Um dos símbolos mais conhecidos de Salvador passou a ser alvo de uma investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA). O órgão abriu um procedimento para analisar a origem do nome Elevador Lacerda e verificar se há registros históricos que relacionem Antônio de Lacerda, personagem homenageado no equipamento, a práticas ligadas à escravidão.
A apuração foi instaurada pela 1ª Promotoria de Justiça de Direitos Humanos no dia 5 de agosto e está sob responsabilidade da promotora Lívia Maria Santana e Sant’Anna Vaz. O objetivo é reunir documentos e informações que ajudem a esclarecer a relação histórica da família Lacerda com estruturas escravocratas.
Por que o nome está sendo questionado?
O equipamento, inaugurado no século XIX, foi idealizado pelo engenheiro Antônio de Lacerda e se tornou uma das principais ligações entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa.
A homenagem, porém, passou a ser analisada diante de pesquisas e registros históricos que apontam que parte da riqueza da família Lacerda, incluindo recursos utilizados para viabilizar o empreendimento, pode ter origem em atividades relacionadas ao tráfico ilegal de africanos escravizados.
É justamente essa possível conexão que o Ministério Público pretende esclarecer por meio da investigação.
Nome pode realmente mudar?
Neste momento, não existe uma decisão para retirar o nome Elevador Lacerda. A investigação ainda está em andamento e deverá determinar se há elementos suficientes para justificar alguma medida relacionada à denominação do monumento.
De acordo com a apuração do MP-BA, caso a ligação com a escravidão seja comprovada, existem pelo menos duas possibilidades em discussão.
Uma delas seria a substituição do nome atual por outra denominação, eventualmente associada a personagens históricos ligados à resistência e à luta pela liberdade.
Outra alternativa seria manter o nome tradicional, mas criar mecanismos de contextualização histórica. Nesse cenário, poderiam ser instaladas placas, memoriais ou outros recursos educativos para explicar aos visitantes a trajetória de Antônio de Lacerda e o contexto social e econômico do período.
Como seria escolhida uma nova denominação?
O Ministério Público ainda não definiu como ocorreria uma eventual escolha de outro nome para o equipamento.
Caso a mudança seja considerada necessária, o processo poderá envolver participação popular ou depender da apresentação e aprovação de projetos de lei no Legislativo competente.
Por enquanto, portanto, o tradicional nome do cartão-postal permanece inalterado. A investigação busca primeiro esclarecer os fatos históricos antes de qualquer discussão definitiva sobre o futuro da denominação.
Patrimônio e memória no centro do debate
Além da questão nominal, a investigação também considera possíveis impactos patrimoniais, culturais, urbanísticos e simbólicos de qualquer decisão envolvendo o Elevador Lacerda.
O equipamento é parte importante da identidade de Salvador e integra o conjunto histórico do Centro da cidade. Por isso, uma eventual alteração no nome não seria apenas uma mudança administrativa, mas envolveria também aspectos relacionados à memória e à forma como a história da capital baiana é apresentada.
O caso coloca em discussão, portanto, a relação entre preservação do patrimônio, reconhecimento histórico e revisão de homenagens a personagens cuja trajetória possa estar associada ao período da escravidão.








