Salvador, primeira capital do Brasil, celebra 477 anos de história com uma programação comemorativa a partir desta quinta-feira (26), reunindo cultura, arte, diversidade e muita música. Entre as atividades, a cidade será presenteada com uma série de apresentações no Centro Histórico. O destaque fica para os shows gratuitos de artistas baianos que vêm se destacando na cena musical nacional, como Larissa Luz, Duquesa e ÀTTØØXXÁ.
As atrações fazem parte da 9ª edição do Movimento Boca de Brasa, que acontece no Quarteirão das Artes Moraes Moreira, na Barroquinha, entre os dias 26 e 28 de março. Além do aniversário de Salvador, o evento celebra os 40 anos da Fundação Gregório de Mattos (FGM), entidade responsável pela política cultural do município.
Com o tema “Rock In Gil”, o show de Larissa Luz acontece logo no primeiro dia, a partir das 19h, no Pátio do Espaço Cultural da Barroquinha. A apresentação integra a turnê da cantora que, há 15 dias, passou pelo Memorial da América Latina, em São Paulo. Além de uma das maiores referências da música popular brasileira, Gilberto Gil foi o primeiro presidente da FGM, em 1986, o que confere um significado ainda mais especial à apresentação.
Larissa Luz, que – assim como Gil – é soteropolitana, vive um momento de destaque na carreira: a artista foi vencedora do Prêmio Shell de Teatro como melhor atriz, pela atuação na peça Torto Arado.
“Fazer esse show em Salvador muda tudo, pois é o lugar onde esse pensamento nasceu: meu e de Gil. Existe um DNA ali, que não é abstrato, ele se manifesta no jeito de ouvir, de reagir, de ocupar o som. Salvador carrega uma carga ancestral muito concreta. O público não se relaciona com a obra de Gil de forma distante, intelectualizada. Existe intimidade, memória, pertencimento. E, de alguma forma, também existe uma relação construída com a minha arte. Isso altera completamente o jogo”, disse a cantora sobre o show.
Segundo Larissa, estar em casa eleva ainda mais as expectativas: “O cenário instiga, provoca, puxa outro nível de entrega. A forma como a plateia responde em Salvador interfere diretamente no show. Isso torna tudo mais especial, sem dúvida, mas também aumenta a responsabilidade, porque não dá para chegar com qualquer leitura. É um território onde essas músicas já têm vida própria, e a homenagem precisa estar à altura disso, precisa dialogar com essa memória viva, e não só se apoiar nela”.
Duquesa – A programação também contará com o show da cantora e compositora Duquesa. Natural de Feira de Santana, a artista tem se destacado entre os jovens ao abordar, em suas músicas, temas como autoestima, força da mulher negra, empoderamento feminino, representatividade e liberdade artística. A rapper se apresenta no sábado (28), a partir das 21h, no Pátio Iyá Nassô, também na Barroquinha.
Duquesa também chega a Salvador num momento especial: a cantora participou recentemente do festival The Town 2025 e foi destaque no projeto Tiny Desk Brasil, onde se apresentou com uma banda 100% feminina.
A programação conta, ainda, com o show da banda ÀTTØØXXÁ, na sexta-feira (27), no Pátio Iyá Nassô, a partir das 20h30. O grupo, que está completando 10 anos de carreira, é mais um representante da música baiana em evidência no cenário nacional e, recentemente, se apresentou no festival Lollapalooza, em São Paulo.
Atividades – Além das apresentações musicais, o Movimento Boca de Brasa reúne cerca de 30 horas de atividades gratuitas, entre manifestações artísticas, feiras criativas, oficinas, desfiles e debates, com foco na valorização da produção cultural das periferias da cidade.
Os eventos acontecem no Quarteirão das Artes Moraes Moreira, na Barroquinha, que contempla a Rua do Couro (Ladeira da Barroquinha), o Espaço Cultural da Barroquinha (Pátio Iyá Nassô), a Escadaria da Barroquinha, o Café-Teatro Nilda Spencer, o Teatro Gregório de Mattos e o Espaço Boca de Brasa Centro.
Um dos destaques é a participação de alunos e ex-alunos das Escolas Criativas Boca de Brasa, que se apresentam ao longo dos três dias de programação, vindos dos polos de Pau da Lima, Centro, Cajazeiras, Valéria, Liberdade/São Caetano e Cidade Baixa.
Boca de Brasa – Lançado pela Prefeitura de Salvador no mesmo ano de criação da FGM, em 1986, o programa tem como objetivo ampliar e descentralizar a criação, produção e o acesso às manifestações artístico-culturais, promovendo a valorização dos territórios e dos jovens das periferias.
Atualmente consolidado como política pública municipal, o Boca de Brasa já impulsionou a carreira de artistas como a cantora Andrezza (vencedora do 23º Festival de Música Educadora FM), o multiartista ODILLON (primeiro rapper a vencer o prêmio de Melhor Intérprete Vocal no Festival da Educadora FM) e Nega Fyah (autora do livro Fyah: do Ódio ao Amor).







