Em visitas realizadas em dois pontos de venda, o quilo do bacalhau foi encontrado entre R$ 85 e R$ 90, na Feira das Sete Portas. Já em um mercado da cidade, opções de “peixe tipo bacalhau” chegaram a custar R$ 64,90 o quilo, evidenciando a diferença de preços e a busca por alternativas mais acessíveis.
A poucos dias da Sexta-Feira Santa, consumidores já sentem o impacto da alta. A dona de casa Marilene Borges afirma que o aumento tem dificultado manter a tradição. “Tá muito caro, muito caro. Ultimamente pra pobre não tá dando mais pra comer não. A gente agora tem que olhar pelo mais barato”, relata. Ela conta ainda que encontrou o quilo de um peixe salgado por até R$ 80 em uma feira, mas viu o mesmo produto sendo vendido por R$ 100 em outro local.
A variação de preços também chama a atenção de quem já se antecipou às compras. O aposentado Abírio Cardoso da Conceição diz que conseguiu pagar mais barato ao comprar antes. “Achei de 72 (reais). Hoje você já encontra de 80, 90 por aí”, afirma. Mesmo assim, ele revela que optou por levar outro peixe. “Comprei pirarucu. Se precisar substituir, pode ser corvina”, completa.
Do lado dos comerciantes, a explicação para o aumento envolve fatores como a procura elevada neste período. O vendedor Davi Pires Bispo explica que o crescimento da demanda influencia diretamente no valor final. “À medida que cresce a demanda e a oferta não corresponde, a tendência é aumentar o preço”, destaca. Segundo ele, o quilo do bacalhau saiu de R$ 75 no início do mês para cerca de R$ 88 atualmente, podendo chegar a até R$ 95 nos próximos dias.
Outro vendedor, Gilson de Jesus, afirma que o produto sofre reajustes leves ao longo do período, mas mantém certa estabilidade durante o ano. Ainda assim, ele reconhece que o valor elevado impacta o consumo. “O pessoal não deixa de comprar, mas leva menos. Em vez de um quilo, leva meio quilo”, explica.
Diante dos preços altos, muitos consumidores têm buscado alternativas para manter a tradição sem comprometer o orçamento. De acordo com a nutricionista Beatriz Nogueira, a substituição do bacalhau por outros peixes não traz prejuízos à saúde. “Os peixes salgados têm valor nutricional muito semelhante, são ricos em proteínas e, de forma geral, têm baixo teor de gordura”, afirma.
Entre as opções mais acessíveis, ela destaca espécies como tilápia, merluza, abadejo e pescada amarela, que podem ser utilizadas em receitas típicas da Semana Santa. Além disso, peixes como pirarucu, corvina, surubim e bagre também aparecem como alternativas populares nos mercados de Salvador, com preços variando entre R$ 48 e R$ 54 o quilo.
A especialista alerta ainda para o consumo excessivo de sódio, comum em peixes salgados, e orienta a dessalga adequada antes do preparo. “Deixar o peixe de molho na geladeira e trocar a água ajuda a reduzir o sal”, explica. Ela também recomenda preparações mais saudáveis, como assados, cozidos ou refogados, evitando frituras.
Com a proximidade da Semana Santa, a tendência é que a procura aumente ainda mais, o que pode pressionar os preços. Para os consumidores, a dica é pesquisar, antecipar as compras e considerar substituições, garantindo a tradição sem comprometer o orçamento familiar.







