O Ministério Público da Bahia (MPBA) abriu uma investigação para apurar a origem histórica do nome do Elevador Lacerda e verificar se existem registros ou documentos que relacionem Antônio de Lacerda, homenageado na denominação do equipamento, à escravidão ou a estruturas escravocratas.
A investigação foi instaurada no dia 5 de agosto pela 1ª Promotoria de Justiça de Direitos Humanos e está sob responsabilidade da promotora Lívia Maria Santana e Sant’Anna Vaz. Em nota, o MPBA esclareceu que não há procedimento voltado à mudança do nome do Elevador Lacerda.
“A menção à possibilidade de mudança do nome consta do objeto do pedido de apuração encaminhado ao Ministério Público e não do objetivo do procedimento instaurado pela instituição”, explicou. Além disso, o MPBA esclareceu que a apuração tem como foco a origem, os registros históricos e as informações relacionadas ao personagem “Lacerda”, para fins de contextualização histórica do patrimônio e garantia do direito à informação sobre o monumento.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), a fim de solicitar um posicionamento. No entanto, a pasta informou que aguardará a conclusão das investigações abertas pelo Ministério Público para se posicionar oficialmente sobre o tema.
Histórico
Inaugurado no século XIX, o elevador foi idealizado pelo engenheiro baiano Antônio de Lacerda e recebeu inicialmente o nome de Elevador Hidráulico da Conceição. Segundo informações da Prefeitura de Salvador, o projeto buscava estabelecer uma ligação entre as partes alta e baixa da cidade e facilitar o transporte em direção ao sul, área para a qual Salvador se expandia, por meio da integração do equipamento com as linhas de bonde.
A construção respondeu às dificuldades impostas pela configuração do terreno de Salvador, com dois planos separados por uma escarpa, em um período no qual a circulação entre eles ocorria por guindastes e ladeiras íngremes. Após a inauguração, o elevador passou a ser o principal meio de transporte entre a Cidade Alta, onde está localizado o Centro Histórico, e a Cidade Baixa, que concentrava atividades financeiras e comerciais.
O equipamento começou a operar com duas cabines e atualmente conta com quatro cabines eletrificadas, com capacidade para 32 passageiros cada, de acordo com a prefeitura. Ao longo de sua história, passou por cinco grandes reformas e revisões, entre elas a intervenção realizada em 1930, responsável pela arquitetura em estilo art déco que caracteriza a construção atualmente.
O Elevador Lacerda tem 72 metros de altura e é formado por duas torres, uma delas instalada na rocha e ligada à Ladeira da Montanha e outra que desce até o nível da Cidade Baixa. O equipamento foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 7 de dezembro de 2006.







