{"id":13146,"date":"2025-06-16T16:18:59","date_gmt":"2025-06-16T19:18:59","guid":{"rendered":"https:\/\/cidadebaixaonline.com.br\/?p=13146"},"modified":"2025-06-16T16:18:59","modified_gmt":"2025-06-16T19:18:59","slug":"ponte-salvador-itaparica-entre-decadas-de-promessas-e-polemicas-um-novo-ciclo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cidadebaixaonline.com.br\/index.php\/2025\/06\/16\/ponte-salvador-itaparica-entre-decadas-de-promessas-e-polemicas-um-novo-ciclo\/","title":{"rendered":"Ponte Salvador-Itaparica: entre d\u00e9cadas de promessas e pol\u00eamicas, um novo ciclo"},"content":{"rendered":"<p>Por muito tempo, a ideia de uma ponte ligando Salvador \u00e0 Ilha de Itaparica parecia menos um projeto concreto e mais uma figura de ret\u00f3rica pol\u00edtica, usada como promessa de campanha ou argumento de palanque. N\u00e3o se tratava exatamente de um sonho coletivo: enquanto setores do empresariado, urbanistas e governos viam na ponte uma revolu\u00e7\u00e3o na infraestrutura baiana, outras vozes alertavam para os riscos ambientais, impactos sociais e at\u00e9 para os custos pol\u00edticos e financeiros de uma obra com tantas incertezas.<\/p>\n<p>Durante anos, o projeto oscilou entre euforia e ceticismo. Anunciado e abandonado diversas vezes desde os anos 1960 \u2014 quando o governador Luiz Viana Filho prometeu a constru\u00e7\u00e3o da ponte pela primeira vez em 1963, com licita\u00e7\u00f5es chegando a ser lan\u00e7adas ainda na d\u00e9cada seguinte \u2014 reapareceu com for\u00e7a no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010, mas s\u00f3 a partir de 2019 passou a ser tratado com seriedade administrativa. Ainda assim, a demora na execu\u00e7\u00e3o e os entraves jur\u00eddicos e ambientais alimentaram uma sensa\u00e7\u00e3o de que a ponte poderia nunca sair do papel \u2014 uma esp\u00e9cie de miragem sobre as \u00e1guas da Ba\u00eda de Todos-os-Santos.<\/p>\n<p>Mas agora, tudo indica que vai sair. Em 2025, o Governo da Bahia e a Concession\u00e1ria Ponte Salvador-Itaparica (CPSI) conclu\u00edram a etapa de sondagem geot\u00e9cnica e anunciaram o in\u00edcio do projeto executivo, com previs\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o dos canteiros de obra ainda este ano e in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o para 2026. O contrato de concess\u00e3o tem validade de 35 anos e envolve empresas chinesas de porte internacional. E, com mais de 12 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, a Ponte Salvador-Itaparica ser\u00e1 a maior da Am\u00e9rica Latina sobre o mar \u2014 ligando muito mais que dois territ\u00f3rios: ligando promessas \u00e0 realidade, e expectativas \u00e0s suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Um dos pontos mais enfatizados pelo governo estadual e pela concession\u00e1ria \u00e9 que a ponte n\u00e3o ser\u00e1 apenas uma obra de mobilidade. Ela ser\u00e1 um novo eixo de desenvolvimento econ\u00f4mico. A estimativa \u00e9 de que mais de 7 mil empregos sejam gerados durante a fase de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o Governo da Bahia, espera-se um impacto duradouro sobre o PIB da Bahia, ao integrar regi\u00f5es tur\u00edsticas, escoar melhor a produ\u00e7\u00e3o rural do interior e atrair investimentos para o mercado imobili\u00e1rio, com\u00e9rcio e ind\u00fastria.<\/p>\n<p>O Sistema Rodovi\u00e1rio Ponte Salvador-Itaparica, conforme explica a gest\u00e3o, prev\u00ea uma infraestrutura muito mais ampla que apenas a travessia sobre o mar. O conjunto inclui novos acessos em Salvador, a ponte em si e uma grande amplia\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria em Vera Cruz, no Rec\u00f4ncavo Baiano.<\/p>\n<p><strong>Liga\u00e7\u00e3o urbana se far\u00e1 por conjunto de viadutos<\/strong><\/p>\n<p>Do lado da capital, a ponte sair\u00e1 da regi\u00e3o da Cal\u00e7ada, nas imedia\u00e7\u00f5es da Feira de S\u00e3o Joaquim. N\u00e3o ser\u00e1, portanto, a partir da Pedra da Marinha ou do Com\u00e9rcio, como chegou a circular. A liga\u00e7\u00e3o urbana se dar\u00e1 por um conjunto de viadutos e dois novos t\u00faneis, paralelos aos da Via Expressa, totalizando 4 km de novas estruturas vi\u00e1rias at\u00e9 a cabeceira da ponte.<\/p>\n<p>A ponte, por sua vez, ter\u00e1 12,4 km de extens\u00e3o sobre o mar, cruzando a Ba\u00eda de Todos-os-Santos at\u00e9 chegar \u00e0 Ilha de Itaparica, no munic\u00edpio de Vera Cruz. A partir dali, haver\u00e1 uma via expressa de 22 km passando por Mar Grande at\u00e9 as proximidades de Cacha Pregos. Um trecho da BA-001, entre Cacha Pregos e a Ponte do Funil, ser\u00e1 duplicado (mais 8 km). O objetivo \u00e9 garantir o escoamento seguro e r\u00e1pido do tr\u00e1fego, ligando n\u00e3o s\u00f3 Salvador a Itaparica, mas tamb\u00e9m o Litoral Sul ao Rec\u00f4ncavo, ao Baixo Sul e, indiretamente, ao Oeste baiano.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es previstas v\u00e3o muito al\u00e9m do tr\u00e2nsito e da engenharia. A proposta \u00e9 reposicionar a ponte como um sistema log\u00edstico de grande impacto econ\u00f4mico, social e tur\u00edstico. A Concession\u00e1ria estima que mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o baiana, em cerca de 250 munic\u00edpios, ser\u00e1 beneficiada direta ou indiretamente.<\/p>\n<p>Segundo Cl\u00e1udio Villas Boas, CEO da CPSI, em declara\u00e7\u00e3o exclusiva \u00e0 Tribuna da Bahia, o Sistema Rodovi\u00e1rio Ponte Salvador-Itaparica \u00e9 o ponto de partida de um novo cap\u00edtulo na mobilidade e log\u00edstica do estado da Bahia, que beneficiar\u00e1 mais de 10 milh\u00f5es de baianos. Vamos encurtar dist\u00e2ncias, fortalecer o turismo e dinamizar o com\u00e9rcio. Este \u00e9 um dos maiores investimentos em infraestrutura do Brasil e um dos projetos mais estrat\u00e9gicos da hist\u00f3ria da Bahia.\u201d<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 de que a obra gere mais de sete mil empregos diretos durante a constru\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, impulsionar\u00e1 a valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, atra\u00e7\u00e3o de novos neg\u00f3cios, log\u00edstica agr\u00edcola e industrial no interior do estado e fortalecimento do turismo nas zonas costeiras do Litoral Sul e Baixo Sul.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rico &#8211; A ideia de ligar Salvador \u00e0 Ilha de Itaparica por uma ponte remonta a mais de meio s\u00e9culo. H\u00e1 registros de estudos desde os anos 1960, mas os primeiros movimentos mais estruturados ocorreram nas gest\u00f5es estaduais do in\u00edcio dos anos 2000. Ainda assim, o projeto era visto como \u201cgrande demais\u201d para a realidade or\u00e7ament\u00e1ria baiana, e enfrentava resist\u00eancia por parte de especialistas que apontavam fragilidades t\u00e9cnicas e alto impacto ambiental.<\/p>\n<p>Foi apenas em 2019 que a proposta passou a avan\u00e7ar efetivamente, com a modelagem de uma Parceria P\u00fablico-Privada (PPP) pelo Governo da Bahia. Em 2020, o contrato de concess\u00e3o foi assinado com um cons\u00f3rcio liderado por duas gigantes chinesas do setor de infraestrutura: a China Communications Construction Company (CCCC) e a China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC). Ambas t\u00eam no curr\u00edculo obras monumentais, como a ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a maior ponte mar\u00edtima do mundo.<\/p>\n<p>Com a chegada da pandemia de Covid-19, o cronograma sofreu atrasos. Apenas em abril de 2025 foi conclu\u00edda a fase de sondagens geot\u00e9cnicas, que envolveu perfura\u00e7\u00f5es em \u00e1guas rasas e profundas da Ba\u00eda de Todos-os-Santos. Desde ent\u00e3o, o projeto retomou for\u00e7a \u2014 e a promessa de que finalmente vai sair do papel.<\/p>\n<p><strong>Muitas pol\u00eamicas cercaram a ponte<\/strong><\/p>\n<p>Apesar do impacto prometido, o projeto n\u00e3o esteve imune a cr\u00edticas. Ambientalistas questionaram a aus\u00eancia de dados p\u00fablicos sobre poss\u00edveis impactos nos ecossistemas marinhos da Ba\u00eda de Todos-os-Santos. Comunidades tradicionais \u2014 pescadores, marisqueiras e povos de matriz africana \u2014 expressaram receios sobre a transforma\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios. J\u00e1 urbanistas alertaram para o risco de expans\u00e3o desordenada em Vera Cruz e munic\u00edpios do entorno, caso n\u00e3o haja planejamento integrado.<\/p>\n<p>A demora na execu\u00e7\u00e3o do projeto tamb\u00e9m gerou desgaste pol\u00edtico. A ponte virou s\u00edmbolo de lentid\u00e3o administrativa, alimentando cr\u00edticas de que seria um \u201celefante branco\u201d prometido a cada elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O CEO da Concession\u00e1ria reconhece o desafio e afirma que o projeto busca respeitar e dialogar com os diferentes atores.<\/p>\n<p>\u201cMais do que uma obra de engenharia, trata-se de uma transforma\u00e7\u00e3o social e cultural. Estamos trabalhando com empresas locais, ouvindo comunidades e incorporando a\u00e7\u00f5es socioambientais que assegurem benef\u00edcios sustent\u00e1veis. A ponte \u00e9 o marco de um novo tempo na Bahia, mas ela precisa ser constru\u00edda com responsabilidade e transpar\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a conclus\u00e3o da etapa de sondagens e do avan\u00e7o do projeto executivo, o foco da CPSI agora \u00e9 instalar os canteiros de obras e cumprir o cronograma contratual. As obras devem come\u00e7ar oficialmente em 2026.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a concession\u00e1ria refor\u00e7a sua presen\u00e7a nas redes sociais, divulgando v\u00eddeos em 3D, entrevistas com t\u00e9cnicos e planos interativos para manter a popula\u00e7\u00e3o informada.<\/p>\n<p>A ponte, finalmente, parece sair do campo da promessa para o da execu\u00e7\u00e3o. Mas seu sucesso depender\u00e1 da capacidade de equilibrar os ganhos econ\u00f4micos com os impactos sociais e ambientais, e de garantir que a modernidade se traduza em qualidade de vida para quem mais precisa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por muito tempo, a ideia de uma ponte ligando Salvador \u00e0 Ilha de Itaparica parecia menos um projeto concreto e mais uma figura de ret\u00f3rica pol\u00edtica, usada como promessa de campanha ou argumento de palanque. 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